Humor sem graça
Salvem os humoristas brasileiros
Dentre as espécies que se encontram em perigo de extinção no Brasil estão os humoristas. Se prestarmos atenção nos programas de humor e nas piadas que nos são contadas atualmente, perceberemos facilmente que carecem de exercício mental de criação. Não me entendam mal, não é uma crítica aos profissionais do humor, apenas creio que estejam sob uma forte concorrência desleal, proporcionando tantos motivos para serem copiados que não compensaria o esforço da criação.
Estou falando dos políticos brasileiros e dos seus atos não menos engraçados (se não fossem tristes).
Qual humorista se daria ao trabalho de exercitar a mente tentando criar algo mais engraçado do que uma figura pública (ou ligado a ela) sendo pego em um aeroporto (ou qualquer outro local) com dinheiro dentro da cueca? Podem imaginar a cena?
Policial: Doutor, estou observando um grande volume dentro de suas calças. O Senhor, por acaso, está carregando uma arma?
Passageiro (meio nervoso e gaguejando): Claro que não Policial. Você não está me reconhecendo? Sou Sicrano, braço direito do político Beltrano e exijo respeito.
Policial: Desculpe, mas é preciso investigar um pouco mais a fundo esta questão.
Passageiro (muito nervoso): Ninguém vai investigar meu fundo.
Policial: Calma Sr. Sicrano, não foi isto que eu quis dizer. Eu disse que seria preciso investigar a situação a fundo. Este volume dentro de suas calças não é normal. Já consultou um médico?
Passageiro (um pouco mais calmo): Bem, na verdade eu era ator de filme pornô... (irritado e nervoso novamente) Isto não interessa. Posso passar?
Policial: Ainda não, vou chamar meu superior. (gritando) Tenente Fulana, temos uma situação aqui.
Tenente Fulana: O que está acontecendo aqui? Olha a fila que está se formando.
Policial (sem saber como falar): Tenente... O Sr. Sicrano está com a situação avantajada. Ele diz que não é arma.
Tenente Fulana (olhando para a situação): Vou ter que revistar...
Passageiro: Ninguém vai revistar nada, já disse ao policial.
Tenente Fulana: Ou eu revisto ou vai preso e o povo revista. Acompanhe-me.
Em sala reservada...
Tenente Fulana (salivando): Tire as calças...
Passageiro (gaguejando mais ainda): Sabe o que é? Isto é dinheiro (e tira um chumaço de dólares de dentro das calças, deixando a pequena situação a mostra).
Tenente Fulana (irada): Guardas. Guardas. Enquadrem este indivíduo.
A imprensa avisada registra a saída do Sr. Sicrano com a situação na mão, deixando político Beltrano de calças arriada...
Mas sempre pode piorar. Imaginemos a seguinte cena:
Brasil: É preciso que vocês trabalhem durante parte de suas longuíssimas férias.
Políticos (em coro): Só pagando extra.
Brasil: Mas estou pobre com tanta corrupção...
Políticos (em coro): Só pagando extra.
Brasil: Está bem, eu pago.
E os políticos assistem, de longe, um Brasil mais pobre aguardando, aguardando, aguardando... Será que acham graça?
Pensando melhor, eu estava enganado, para fazer humor com tanta desgraça, só sendo muito criativo...
Escrito por Claudio às 20h36
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